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ARTIGOS
O
CAMINHO DO MENOR ESFORÇO
Em
filosofia oriental, ensina-se que devemos seguir o caminho
do menor esforço. Infelizmente, este ainda é um conceito
mal compreendido no ocidente. Ingenuamente, alguns acreditam
que o caminho do menor esforço é o caminho da passividade,
do recolhimento, da preguiça e estagnação.
Mas isto não é verdade. Preste atenção: caminho do menor
esforço não é caminho sem esforço, mas apenas do menor.
Ou seja, mesmo quando as soluções são árduas e complicadas,
há uma que exigirá um esforço menor. Por mais difíceis
que sejam as possibilidades, existe uma não tão difícil.
Por mais complicada que seja uma tarefa, há sempre um
modo menos desgastante de realizá-la. Há sempre uma
saída mais natural.
É uma situação básica da natureza. Por que o curso de
um riacho é tortuoso? É porque ele segue o caminho do
menor esforço. Mas não seria mais fácil correr em linha
reta, uma trajetória mais curta? Ora, um trajeto mais
curto nem sempre é o de menor esforço. Você consegue
imaginar quanta energia seria necessária para que o
riacho perfurasse uma rocha que se colocasse em seu
caminho? Seria um esforço exagerado atravessá-la. É
mais simples dar a volta, contornar o obstáculo. É um
princípio da natureza: encontrar o caminho mais natural,
do menor esforço. Não evitar nem confrontar o obstáculo,
apenas superá-lo.
Mas infelizmente o ser humano está condicionado a valorizar
apenas caminhos complicados, soluções complexas e escolhas
difíceis. Evita a solução mais simples, o bom senso,
a saída mais óbvia. Pressionado a ser criativo diante
de um universo de exigências, o indivíduo se esforça
em demasia, desesperadamente, em busca de saídas para
seus problemas.
A busca por soluções é importante, mas não deve ser
exercida de forma exagerada, preocupando-se demasiadamente
com resultados. Esforçar-se além das possibilidades
do momento é levar uma situação à exaustão, ao stress.
O sofrimento surge exatamente nestes momentos de stress,
quando uma situação é levada ao extremo. Se o indivíduo
forçar uma situação além de suas possibilidades, sofrerá.
Se ele se forçar a ser mais do que realmente é, chegará
à exaustão.
É claro que um dia poderemos ser capazes de realizar
algo que hoje ainda não se apresenta possível. Afinal,
somos seres humanos, crescemos, amadurecemos. Mas não
adianta exigir que uma criança sustente um peso de trinta
quilos. Isto seria forçar algo que ela ainda não é capaz.
No futuro, quando adulta, ela conseguirá. Mas agora
ela não é capaz. Como dizia Jung, "Não é perfeição mas
totalidade o que se espera de você."
Busque então o caminho do menor esforço, seja você mesmo.
Aproveite seus potenciais mas respeite seus limites.
Faça a sua parte mas descubra o próprio ritmo. Encontre
paz em tudo o que você fizer. Siga o caminho do menor
esforço, onde "você nada faz, mas nada deixa por fazer".
Publicado
no "Estado de Minas", 15/01/2000
(Moacyr
Castellani)
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O SER FELIZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELO CONTEÚDO
DOS ARTIGOS AQUI APRESENTADOS.
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