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ARTIGOS
O
QUE HÁ POR TRÁS DA DEMOCRACIA
Fala-se
muito em justiça social no Brasil. Mas, mesmo com a
conquista de um regime mais aberto, eleição direta e
democracia tornaram-se ápices de campanhas populistas.
Nosso país ainda continua sofrendo o que podemos chamar
de discurso vazio.
Embora possamos livremente escolher nossos representantes,
muitos governam sob a demagogia de projetos e promessas
ilusórias. Infelizmente, num país onde consciência política
é apenas um jargão, tornamo-nos submissos à lei do mais
astuto. Corrupção, desvios de recursos, escândalos políticos,
excesso de impostos, instituições falidas são as manchetes
dos jornais. Enquanto trabalhamos arduamente rumo à
esperança de dias melhores, uma pequena minoria enriquece
às custas de nossa ingenuidade.Inadvertidamente,
assistimos espantados à nossa própria decadência.
Ora,
democracia e justiça existem onde há consciência política
e social. Dizem que é necessário investir em educação,
mas só isto não basta. A noção de educação em nosso
país está fundamentalmente ligada a conhecimento e informação.
Achamos que um povo consciente seja um povo bem informado,
intelectualizado. Esquecemo-nos do essencial- a constituição
interior do indivíduo. O desenvolvimento de valores,
senso ético e integridade são imprescindíveis para aplicar
qualquer conhecimento adquirido. Somente informar não
basta, precisamos formar o caráter do indivíduo.
Numa
sociedade onde ainda reina a "lei de Gerson", como reivindicar
direitos quando não cumprimos nossos deveres como cidadãos?
Como exigir justiça social quando muitas vezes somos
tentados a fazer "vista grossa" aos direitos alheios?
Quando a referência pessoal passa a ser o oportunismo
e o desejo de levar vantagem em tudo, trabalhamos uns
contra os outros ao invés de crescermos de forma unida.
É por isso que "o povo tem o governo que merece."
Ora,
o exercício da democracia é algo mais do que liberdade
de expressão ou poder escolher nossos representantes
legais. É, fundamentalmente, saber discernir o que escolher,
expressar idéias e firmar convicções que realmente façam
sentido e que contribuam de forma digna e concreta nas
questões fundamentais para a nação. Se queremos que
seja respeitada a vontade da maioria, é necessário que
esta maioria se engaje na construção e no progresso
de seu próprio país.
Afinal,
se "não é a justiça que faz os justos, são os justos
que fazem a justiça", como já dizia Aristóteles, creio
também que não é a democracia que faz uma grande nação,
mas são valores individuais sólidos e genuínos que fazem
a democracia e constróem uma sociedade próspera.
Publicado no "Estado de Minas", 27/11/97
(Moacyr
Castellani)
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O SER FELIZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELO CONTEÚDO
DOS ARTIGOS AQUI APRESENTADOS.
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