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ARTIGOS
O
QUE É MAIS IMPORTANTE PARA VOCÊ?
Nos
dias de hoje, visivelmente marcados pelo desenvolvimento
econômico e tecnológico, o sucesso pessoal é dirigido
basicamente a conquistas materiais. Somos valorizados
pela competência em obter dinheiro, poder e status.
Vivemos um cotidiano doente, onde pressão e ansiedade
são nossos imperadores. Mas por quê tanta pressa?
Estamos
numa era de mudanças rápidas, assim espera-se que tenhamos
agilidade suficiente para vencer obstáculos, ganhar
dinheiro, construir uma vida estável - nada mal para
um final de milênio tão conturbado. Realmente, precisamos
nos adaptar aos novos tempos. Mas simplesmente se adaptar
não basta. Precisamos, antes disto, criar um mundo melhor,
gerar referências mais positivas para se viver. Senão
iremos continuamente nos adaptar a padrões superficiais
e sem sentido.
Não
quero dizer que ganhar dinheiro seja um mero detalhe.
Ele é um instrumento da vida moderna necessário à sobrevivência
e à realização de alguns de nossos sonhos mais concretos.
Só não devemos confundir as coisas, relevando o dinheiro,
ao invés de instrumento, como único objetivo. Reconhecer
e valorizar também o que preenche nossos corações é
essencial para atingir equilíbrio e paz de espírito.
Parece
que as pessoas se esqueceram ou não querem enxergar
aquilo que elas mais desejam: amor, contato, intimidade.
Fomos enganados por padrões sociais que só valorizam
o externo em detrimento do afeto das relações verdadeiramente
humanas. É o calor, o contato entre as pessoas que move
e preenche nossas vidas.
O
ser humano precisa ser reconhecido e acreditado pelos
outros. Ele precisa amar e ser amado; ser tocado, valorizado,
compartilhar suas emoções e ser sinceramente aceito.
É maravilhoso ter espaço para se expressar sem medo,
é encantador poder ser a gente mesmo.
É
claro que o crescimento pessoal depende basicamente
do nosso próprio esforço, mas o incentivo de quem nos
ama e acredita em nossos mais íntimos potenciais atua
como um vigoroso catalisador. Compartilhar dá asas à
criatividade e desenvolve em muito nossa afetividade.
Acolher o indivíduo como ele é não é fácil, não fomos
treinados para isto. O mundo moderno não nos prepara
para exprimir afeição e carinho.
Ora,
aceitar o próximo não é simplesmente respeitar seu espaço
e suas características pessoais. É, acima de tudo, reconhecer
sua natureza única e particular, suas reais intenções,
a luta íntima que o sujeito trava consigo mesmo tentando
cada dia mais melhorar. Muitas vezes não temos paciência
para lidar com as dificuldades dos outros. Exigimos
perfeição em troca da nossa atenção. Vai ver o segredo
é lidar com os outros, e não com as dificuldades. Como
disse Carlos Molina, terapeuta sistêmico, devemos conhecer
as pessoas como são, sem os problemas.
É
claro que não podemos ser suas babás, alimentando carências
e inseguranças, ou concordando com tudo que dizem. Mas
podemos ser seus amigos. Podemos nos tornar disponíveis,
oferecendo aquilo que às vezes tanto cobramos - amor.
E assim poderemos ser realmente fortes para trilhar
nosso rumo. O verdadeiro poder surge da harmonia dos
sentimentos.
Publicado no "Estado de Minas", 22/10/96
(Moacyr
Castellani)
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O SER FELIZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELO CONTEÚDO
DOS ARTIGOS AQUI APRESENTADOS.
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