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ARTIGOS
É
DIFÍCIL SER PAI?
Se
o trato diário com amigos e colegas já exige uma boa
dose de atenção, compreensão e respeito, o bom convívio
entre pais e filhos exige ainda mais. A intimidade e
o contato constante entre membros de uma mesma família
acalma e acalenta a relação, mas também expõe aspectos
frágeis e humanos da nossa personalidade. Ser pai não
é fácil, principalmente diante da vigilância de uma
sociedade que cobra estabilidade e perfeição de um personagem
que é, essencialmente, humano.
Este
é um aspecto fundamental: acima de assumir o papel de
pai, ser você mesmo na relação. Não adianta se obrigar
a cumprir um padrão, assumir uma conduta que não corresponda
à realidade interior, suas próprias crenças e valores.
Afinal, filhos necessitam de uma referência, do exemplo
dos pais. Assim, é necessário uma boa dose de autoconhecimento,
pois bons exemplos provêm de boas atitudes. Não adianta
apontar um caminho ou impor um limite se não agirmos
de forma coerente. Aquela história do "faça o que eu
digo, mas não faça o que eu faço" é um desastre. Ora,
ninguém suporta incoerência e ambigüidade diante de
um contato que deveria ser, no mínimo, autêntico.
Assim,
além de sermos coerentes, devemos nivelar a relação.
Acima de ser pai ou filho, ambos são indivíduos únicos
repletos de potenciais próprios. É claro que o adulto
tem mais experiência e compreende melhor aspectos ainda
não acessíveis a uma criança ou adolescente. Mas quem
faz questão de tornar evidente esta diferença, discriminando
a capacidade do próprio filho em crescer e desenvolver-se,
sustentará uma relação de insegurança, contribuindo
para o aparecimento de sentimentos de medo, submissão
ou rebeldia.
A
aplicação de limites é também em muito necessária. Da
mesma forma que atenção, amor e incentivo são atitudes
vitais para o desenvolvimento da personalidade, a noção
de limite é o complemento para o equilíbrio. Muita gente
desenvolve dificuldades ao longo da vida exatamente
pela falta ou excesso de limites. Ora, não precisamos
esconder a realidade, que às vezes é dura, ao próprio
filho. Limites são necessários e devem ser aplicados
com sinceridade. Infelizmente, há pais que confundem
as coisas, acreditam que estabelecer limites é ser duro.
Bem, podemos ser firmes, não necessariamente duros.
Afinal, atenção e carinho são necessários até nas situações
mais concretas.
É
importante também estar atento para não projetar no
filho nossas próprias frustrações ou anseios. Muitos
pais buscam realização pessoal no sucesso dos filhos.
Gostariam que fossem seus seguidores, que realizassem
tudo o que eles próprios não conseguiram ao longo da
vida. Enchem-se de expectativas e podem até influenciar
de forma negativa no desenvolvimento de maturidade e
autonomia pessoal.
Ser
pai é um eterno aprender. O importante é ter sabedoria
e coragem para superar as dificuldades e tentar melhorar.
Afinal, ser bom pai é ser um bom homem, é conhecer-se
a si mesmo. É acreditar na própria capacidade e amadurecer
de uma forma sincera. É formar-se como pessoa, saber
apreciar novos encontros e relações. É ser humano, compreendendo
os limites que a vida nos coloca, mas nunca fugindo
das oportunidades que ela nos traz.
Publicado
no "Estado de Minas", 02/02/98
(Moacyr
Castellani)
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O SER FELIZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELO CONTEÚDO
DOS ARTIGOS AQUI APRESENTADOS.
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