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ARTIGOS
SEXO
É COISA DE CRIANÇA
Dizem
que a sexualidade está ligada unicamente ao lado adulto
do ser humano. Mas, afinal, o que é ser adulto? Esta
parece ser uma questão simples para qualquer um de nós
- mas não é. Infelizmente, nossa sociedade vive diante
de um imenso paradoxo: ser verdadeiramente adulto ou
cumprir o papel de adulto - grande diferença. Cumprir
o papel de adulto não quer dizer que somos realmente
maduros.
Mas por que ansiamos por cumprir um papel? Bem, é porque
aprendemos a fazer assim. Infelizmente, nos deparamos
com poucas oportunidades para aprender a ser o que realmente
somos, ao invés de representar um modelo. Aliás, o grande
erro de quem almeja tornar-se adulto é achar que nunca
mais será criança.
Ora, procuramos ao longo dos anos descartar muitos comportamentos
que carregam em si características infantis: pureza,
sensibilidade, ternura, curiosidade, espontaneidade
são exterminadas em prol do desenvolvimento de aspectos
"adultos" da nossa personalidade. Destruímos nosso lado
criança para representarmos o papel de adulto.
O mesmo acontece com nosso lado adolescente. Deixamos
de lado o questionamento, auto-afirmação, muitos sonhos
e coragem em prol da chegada de um lado mais responsável,
prático e racional. Da mesma forma, é um grande engano
acreditar que nunca mais seremos adolescentes.
Na verdade, ninguém precisa deixar de ser criança para
se tornar um adulto. É preciso sim deixar de ser apenas
criança para se tornar criança-adolescente-adulto. Este
é o segredo da maturidade, não destruir aspectos de
nossa personalidade para que outros assumam o seu lugar,
mas integrar todos os aspectos. Não podemos abandonar
a espontaneidade de nossa criança interna ou a coragem
de nosso lado adolescente e apenas substituí-los por
um lado responsável. Devemos, na verdade, integrar todas
estas particularidades, sendo responsáveis, mas ao mesmo
tempo espontâneos e corajosos.
É claro que, de acordo com cada experiência, um aspecto
será soberano. Em determinadas situações, é preciso
ser mais racional (adulto), rebelde (adolescente), ou
ainda mais lúdico (criança). Aliás, em matéria de sexo,
qual aspecto torna-se vital?
Ora, em nossa cultura, levamos o sexo a sério demais.
É claro que devemos ser conscientes e responsáveis na
escolha de cada companheiro, na forma mais sincera de
se relacionar, nos métodos de proteção para um encontro
mais íntimo. São nossas facetas "adultas" que dão as
referências necessárias sobre escolha e convívio mútuo,
estabelecendo uma razão, um sentido para a relação.
Mas ele não pode isolar-se em todo o processo.
Afinal, intimidade é uma experiência guiada pelo nosso
lado criança: fazer amor clama por um momento de entrega,
um encontro que seja solto, inteiro e espontâneo. Amar
é se entregar a uma exploração mútua, a um momento livre
de expectativas, à magia do toque, a uma eterna brincadeira.
É
por isso que "sexo é coisa de criança", pois amar de
verdade é uma revelação, uma entrega aberta e espontânea,
sem disfarces, medos ou inibições. É claro que podemos
até ser desinibidos e intensos a partir de uma referência
adulta, a partir de um papel mais incisivo. Mas, para
ser intenso, mas amar de verdade, se entregar não só
de corpo mas também de alma, não basta cumprir apenas
um papel. É preciso ser realmente inteiro e maduro,
viver e curtir, naturalmente, nosso lado criança.
Publicado
no "Estado de Minas", 30/05/99
(Moacyr
Castellani)
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O SER FELIZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELO CONTEÚDO
DOS ARTIGOS AQUI APRESENTADOS.
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