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ARTIGOS
VIDA
A DOIS: DEVE DURAR PARA SEMPRE?
Dizem
que vivemos uma sociedade democrática, onde as pessoas
têm maior liberdade e autonomia sobre a própria vida.
Ao contrário do passado, hoje em dia temos mais flexibilidade
para conhecer, avaliar e decidir sobre relacionamentos.
Nestes termos, os casamentos deveriam ser mais felizes
e equilibrados, mas não é bem assim que acontece. Separações
e desentendimentos ainda cercam e assombram nossos corações.
Nunca foi tão difícil manter um convívio duradouro,
mesmo com a possibilidade de experimentar as mais diversas
relações.
Ora,
o que fazer com esta liberdade se, em grande parte das
vezes, não sabemos o que realmente queremos? Como ser
livres para escolher quando ainda não conhecemos os
meios para atingir nossos sonhos? Muitos pensam que
escolha é optar por algo pronto, encontrar um modelo
que preencha expectativas. Vivemos constantemente preocupados
em encontrar o parceiro ideal, como se já houvesse um
exemplo de perfeição à espera de ser descoberto. De
certa forma, somos livres para escolher mas não sabemos
como.
Escolher
não é simplesmente avaliar as pessoas por como elas
são, mas essencialmente naquilo que elas poderão se
transformar. Amar é também perceber dons e potenciais
ainda não desenvolvidos. É conectar não somente com
aquilo que o parceiro pode nos oferecer, mas também
acreditar e trabalhar seus limites rumo a um crescimento
autêntico. Nas palavras de John Welwood, Ph. D. "Uma
conexão de Alma é uma ressonância entre duas pessoas
que vêem, em cada uma, a sua beleza essencial, atrás
das fachadas e que conectam o seu nível mais profundo.
Este tipo de mutual reconhecimento provê um catalisador
para uma potente alquimia. É uma sagrada aliança cujo
propósito é ajudar ambos os parceiros a descobrir e
realizar seus mais profundos potenciais".
Ora,
o verdadeiro encontro conjugal é um encontro de almas,
onde cada parceiro está intensamente interessado no
desenvolvimento íntimo do outro e de si mesmo. A verdadeira
felicidade entre casais está no fato de cada um aceitar
os limites e dificuldades do outro, mas acreditar também
em seus potenciais incentivando o crescimento. Simplesmente
aceitar o outro como ele é não basta. Precisamos ajudá-lo,
ser um suporte motivando-o para seu desenvolvimento.
Mas,
estimular mudanças munido de uma gama de expectativas
torna-se fatal quando o que almejamos é somente a nossa
própria satisfação. Amar é, antes de tudo, almejar mudanças
para a satisfação do nosso parceiro. Se estamos mais
preocupados nas mudanças do que no bem estar de nosso
companheiro, algo vai errado. Nossas ações devem ser
de coração. É a magia de aceitar e ao mesmo tempo estar
disponível para mudar.
Para
manter equilíbrio e felicidade numa relação é necessário
maturidade e perseverança. Enquanto alguns impõem ou
desistem, outros compreendem e acreditam. Uma boa dose
de autoconhecimento traz tranqüilidade e clareza pessoal,
indispensáveis para qualquer encontro a dois, não é
mesmo? É uma via de duas mãos: quanto mais equilibrado
é o indivíduo, mais feliz é a relação e vice versa.
Aliás, há forma mais bela de existir?
Publicado no "Estado de Minas", 11/08/96
(Moacyr
Castellani)
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O SER FELIZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELO CONTEÚDO
DOS ARTIGOS AQUI APRESENTADOS.
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