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ARTIGOS
HOMEM
E MULHER NA VIRADA DO SÉCULO
Ultimamente,
palavra muito em moda em nosso vocabulário é independência.
Homens e mulheres, sem distinção de raça, crença ou
classe aderiram a uma forma delicada de interação se
não bem compreendida ou mesmo elaborada.
Com
a revolução sexual, a mulher obteve novas oportunidades
para desenvolver sua individualidade, ocupando assim
mais espaço no mundo moderno. Estavam por demais insatisfeitas,
para não dizer frustradas frente às imposições masculinas.
Viveram por um longo período valorizando e extravasando
sobretudo "valores femininos", como paciência, delicadeza
e intuição.
Já
os homens, assustaram-se amargamente ao perceber que
as mulheres não estavam mais dispostas a se sujeitar,
renunciar seus espaços, interromper seus destinos. Habituados
com seus "aspectos masculinos", como força, iniciativa
e racionalidade, muitos grandalhões viram-se diante
de novas exigências: sensibilidade, ternura, atenção.
É claro que esta ruptura de padrões abriu um novo e
positivo espaço na vida social, tanto para a mulher,
que passou a assumir os aspectos práticos de sua vida
pessoal, como para o homem, que passou a dar um sentido
mais humano e verdadeiro às suas ações e pensamentos.
Mas, nesta ânsia de desenvolvimento e evolução, exageramos
na dose. Na angústia de aprender e dar atenção a facetas
esquecidas da personalidade, lançamo-nos ao outro extremo.
Muitos
homens antes rígidos e calculistas tornaram-se frágeis
e sem iniciativa. Mulheres antes delicadas e atenciosas
tornaram-se sérias e desconfiadas. Ambos não conseguiram
se equilibrar e, para piorar, afastaram-se mais um do
outro. O casamento, novamente, faliu.
Ninguém
mais acredita na validade genuína de uma vida a dois.
Parece que não estamos mais dispostos a expor nossos
sentimentos, compartilhar emoções, dedicar o próprio
esforço em prol da construção de uma vida em comum.
Refugiamo-nos na independência, maneira fácil e rápida
de evitar compromisso, responsabilidade, cumplicidade.
Não
estou dizendo que passar de uma situação de dependência
para uma condição mais autônoma seja negativo. Muito
pelo contrário, tornar-se auto-suficiente em alguns
pontos é um grande passo no processo de maturidade.
O perigoso é parar por aí, não atingir o próximo nível
- interdependência.
É
um grande e difícil desafio, mas ao mesmo tempo o mais
glorioso. Tornar-se um casal, uma família capaz de exprimir
e explorar melhor suas potencialidades, ajudando-se
mutuamente e caminhando em direção à uma evolução maior
é tarefa reservada apenas para os corajosos. Desenvolver
e firmar nossa independência é essencial, mas desfrutar
do prazer de compartilhar nossas particularidades frente
um ente querido é simplesmente, divino.
Publicado no "Estado de Minas", 27/01/97
(Moacyr
Castellani)
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O SER FELIZ NÃO SE RESPONSABILIZA PELO CONTEÚDO
DOS ARTIGOS AQUI APRESENTADOS.
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